A diferença é que nos torna iguais

Os defensores das Cotas e do Estatuto afirmam que as políticas universalistas foram incapazes de "incluir o negro" por isso as cotas seriam necessárias. Nada mais falso. Como não conseguem sustentar sua posição se apóiam única exclusivamente no conceito de raça que a ciência abomina, e na ignóbil pratica de detratar quem pensa de forma diferente. Os defensores das cotas em maioria não possuem vínculos orgânicos com a classe operária trabalhadora. Desprezam a luta organizada dos trabalhadores negros e não negros para garantir a aplicação desses direitos nas luta do dia a dia, como educação pública, gratuita e de qualidade em todos os níveis, saúde de qualidade e gratuita para todos, reforma agrária, demarcação das terras dos quilombos remanescentes, emprego, salário decente, aposentadoria justa, fim da violência policial, o que garantiria condições de vida decentes. O racismo que existe no Brasil é fruto dos abismos econômicos que separam as classes sociais. Não é produto da opressão de 'brancos' contra 'negros', mas do princípio da desigualdade social que dissolve as esperanças dos trabalhadores de todos os tons de pele. O Movimento Negro Socialista (MNS), do qual faço parte, luta pela igualdade verdadeira, pela extensão dos direitos e dos serviços públicos. Essa é a única via eficaz para combater o racismo. O conceito de raça, fundamento das declarações dos defensores das cotas, estabelece uma fronteira nas escolas, nas periferias, nos sindicatos. Divide os cidadãos e os trabalhadores. No limite, propaga um ódio estéril que só serve aos que tudo tem. Os interesses dos trabalhadores negros são os mesmos dos trabalhadores brancos, são os interesses de todos oprimidos! A aprovação do Estatuto da Igualdade Racial e das Políticas de Cotas fará erigir uma nação de guetos 'raciais', na qual não haverá lugar para o conceito de direitos universais. A chamada 'discriminação positiva' só pode desembocar na divisão da nação brasileira e na criação de uma oposição 'legal' entre negros e brancos em escala de todo o País. É evidente que os primeiros a sentir as conseqüências da divisão 'racial' da sociedade serão os pobres, negros e brancos, em sua luta pela sobrevivência, na luta por emprego, e que tem necessidade de saúde, educação e serviços públicos universais e de qualidade! O trabalhador 'branco' que vive na casa ao lado de um “negro”, no mesmo bairro, cujos filhos estudam na mesma escola pública, não pode culpado, responsabilizado pelo desemprego, pelo salário de fome, pelas péssimas condições de vida, pelo racismo e todas suas conseqüências, pois isso é o que almejam os poderosos. Não reivindico privilégios de 'raça' nas universidades e no mercado de trabalho. Continuo a sonhar (e a lutar) pelo dia em que ninguém será avaliado pela cor da sua pele, como sonhou Martin Luther Ling. Tenho convicção de que os negros não se iludirão pela política da divisão e do ódio. Continuaremos a explicar que nós trabalhadores somos uma só classe e os interesses dos negros não se distinguem daqueles dos demais trabalhadores. “A luta pela sobrevivência, a luta contra o racismo existente já é muito dolorosa para permitir que um mal maior se faça.”
Escrito por SINFERROBRU- CUT às 23h47
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